Luto: Primeiro Contacto com as Famílias

Luto: Primeiro Contacto com as Famílias

“A felicidade é benéfica para o corpo, mas o sofrimento desenvolve os poderes da mente.”

-Marcel Proust-

 

Todos nós gostaríamos que as pessoas que amamos nunca nos deixassem, mas sabemos que isso não é possível, ninguém está imune à perda, o luto é algo que todos nós vamos sofrer e quem já perdeu alguém, sabe que a dor é incomensurável.

Perder alguém que estimamos causa uma dor que nunca se cura, apenas nos acostumamos com a falta e cada pessoa terá que encontrar o seu próprio caminho para enfrentar o luto, perceber onde encontrar alívio, integridade e capacidade de se levantar novamente.

Reorganizar os pensamentos e aliviar a dor é uma tarefa que exige tempo, pois ninguém ensina o outro sobre as leis do sofrimento e de como enfrentar o luto.

Normalmente, a dor da perda chega de repente para nos desestabilizar e é preciso arte para saber dizer adeus, para que pouco a pouco, se consiga juntar cada peça numa reconstrução da pessoa em luto, que sem saber, está num processo que é uma das maiores aprendizagens que fazemos.

A possibilidade de fazer uma Cerimónia de Homenagem no momento mais delicado de todos, o primeiro momento, o início das cerimónias fúnebres pode ser uma ajuda no processo de superação e no amenizar a dor da saudade por quem já se foi…  

A cerimónia de homenagem pressupõe a realização de um texto por parte de um psicólogo ou terapeuta habilitado para esse serviço, normalmente em 24 horas e que deve contemplar 4 passos:

  • 1º Passo:  Proceder à recolha de informação junto da família da pessoa falecida, por vezes amigos,  de forma presencial, que é a mais comum, mas também com possibilidade de ser uma recolha via telefone ou  video-chamada, assim como juntar trechos ou textos da família, de um só familiar ou de um amigo;
  • 2º Passo: Elaboração do texto de homenagem ou aperfeiçoamento do texto recolhido junto da família e/ ou amigos, como nos exemplos:

«Jamais poderemos esquecer a tua lucidez, e a tirada oportuna, tantas vezes mordaz, que nos fazia escangalhar a rir» trecho de um texto composto em conjunto com a psicóloga;  

«Claro…com o teu feitio… e se eram bravas as tuas rabuges” – recolha presencial 

«A ti meu querido chefinho, conheci-te com apenas 16 aninhos» – envio de texto para anexar

  • 3º Passo:  Apresentar o texto de homenagem aos familiares/ amigos para eventuais correções e validação, porque nunca é tomado em definitivo sem a família ou amigos considerarem válido.
  • 4º Passo:  Leitura do texto de homenagem que pode ser feita na Igreja, após ou durante a cerimónia religiosa; também na Igreja mas em substituição da cerimónia religiosa; ou no Crematório.

E esta descrição sucinta demonstra um trabalho importante que se pode realizar num primeiro momento e contacto com a família de quem partiu. 

Apesar de se viver com a morte todos os dias, não se pode perder a sensibilidade de saber que se está a fazer é sobre um pai, uma mãe, um filho, uma tia, um marido… e como tal, deve ser tratado com todo o respeito e dignidade, com a premissa de que até os mortos merecem ser bem tratados.

AUTOR(A)

Filipa Nobre, Psicóloga (CP nº 12090)

Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde
Especialista em Psicologia da Educação
Especialidade Avançada em Psicologia da Justiça
Especialidade Avançada em Psicologia Comunitária 

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