Reescrever o futuro com COVID 19, a necessidade de um planeamento integrado, individual e coletivo, pensado no bem comum

Reescrever o futuro com COVID 19, a necessidade de um planeamento integrado, individual e coletivo, pensado no bem comum

Um país que até há bem pouco tempo começava a deixar de falar de défice público e de aumentos de carga fiscal para debater as melhores estratégias com vista a um futuro promissor de crescimento sustentável com rácios positivos e uma taxa de desemprego de 6,5 em 2019 (INE), vê-se agora estrangulado com os efeitos devastadores de uma pandemia, Covid-19, que ninguém conseguiu prever e que veio para ficar.

Desde março que as instituições, as empresas, os serviços públicos e a população se uniram nesta “guerra mundial”, um esforço coletivo de trabalho árduo e de muitos sacríficos que em Portugal mostrou ter bons resultados mas que agora terá que continuar para se não voltar a um estado de emergência.

As gerações atuais não estavam preparadas ou sequer imaginavam que uma ameaça destas seria possível de acontecer. Nem as empresas mais líderes conseguiram antecipar tal cenário. Alguém imaginava ver-se obrigado a estar fechado em casa sem poder sair, exceto para aquisição de bens alimentares ou por questões de saúde, a ter de proteger-se, a si e aos seus, a não poder ir trabalhar, olhar fixamente a televisão para ouvir os anúncios públicos do governo e da presidência da república, desesperar pelas estatísticas que se adivinhavam pouco animadoras. Não, ninguém imaginava! Até porque historicamente ouvimos algumas vezes falar de pandemias mas era raro esse tema ser abordado nas nossas relações diárias, sociais ou familiares. Nunca lhe demos muita importância!

Em março, estávamos em cenário de guerra e fomos aprendendo a lidar com a situação da melhor forma possível, superando os vários desafios que se iam colocando como a conciliação do teletrabalho com a gestão da vida familiar, a necessidade de fazer compras cumprindo as regras de confinamento, o desgaste emocional e cansaço, a pressão do contexto, o aumento de custos, o acompanhamento da vida escolar dos filhos, a necessidade de dotar as residências com as melhores condições de comunicação com o exterior quando muitas vezes nem conseguíamos comunicar no interior, a preocupação com os amigos e familiares com quem não conseguíamos estar, a gestão da saúde e segurança, entre muitos outros.

Tantas mudanças! Reagiu-se rápido: ultrapassaram-se medos, mudaram-se processos e procedimentos, remodelaram-se espaços, investiu-se em novas valências, trabalharam-se novas competências, fizeram-se formações, assumiram-se compromissos, apostou-se fortemente na tecnologia e comunicação móvel, criaram-se novas metas, exigências e responsabilidades, mudaram-se planos.

Algumas das soluções encontradas vão certamente manter-se no futuro e serão integradas nos processos futuros como serão os casos do ensino e trabalho à distância. Hoje, 12 de julho de 2020, os números da Pandemia continuam a aumentar e a página oficial em Portugal anuncia: 30 907 recuperados; 46 512 confirmados, 405 110 suspeitos, 1 638 a aguardar resultados e 1 660 óbitos. Pois é, esta pandemia veio para ficar e a população tem que reescrever o seu futuro com COVID 19 para conseguir sobreviver e ter condições de saúde, sociais e económicas. Nunca o planeamento fez tanto sentido, seja ele estratégico ou operacional.

Independentemente da área, na componente estratégica, mostra-se necessário desenvolver diagnósticos mais aprofundados e sustentados com estudos de mercado que ajudem na definição de um reposicionamento para este contexto de COVID 19 e para um futuro que se pretende mais animador.

O reposicionamento terá que ser pensado em múltiplas dimensões, ao nível das pessoas, da família, das empresas, das instituições, das relações sociais e económicas, da comunicação, da saúde, da segurança, da responsabilidade ambiental, etc.

Que posição é que se quer e pode assumir neste contexto? O foco não deverá ser tomar iniciativas de reação mas sim promover a refleção e partilha de pensamento analítico e científico para se reescrever um futuro mais harmonioso com COVID 19 e com menos medos. A questão é que apesar dos bons resultados tidos com algumas das iniciativas de reação, foram de curta duração, caso os números continuem a aumentar. Será muito difícil lidar com este contexto de vida sem um planeamento prévio e muitos de nós não imagina continuar a produzir no mesmo formato até porque simplesmente não aguenta física ou emocionalmente. No entanto, tem-se consciência que é necessário trabalhar melhor, inovar nas soluções, conquistar mercados, diminuir barreiras e continuar a contribuir para que a nossa economia não se fragilize ainda mais. Agora é o momento para nos dedicarmos a refletir e planear os próximos tempos, um planeamento integrado, individual e coletivo, pensado para o bem comum e solidário.

Mesmo quando se encontrar uma vacina, que se espera para o verão de 2020, tem-se a responsabilidade de preparar as gerações mais novas para outras ameaças desta natureza e seus efeitos negativos, isso requer um trabalho colaborativo e o dever de informação planeado.

Quando a AEDL me fez este convite não imaginava escrever sobre este tema mas sim sobre marketing e/ou turismo, o que seria mais óbvio tendo em conta a minha experiência profissional, no entanto, foi esta a necessidade que senti de partilha e agradeço a oportunidade.

AUTOR(A)

Marta A. Andrade Cunha

Especialista em Turismo e Lazer pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do IPP; Licenciada em Turismo pelo ISAG, Pós-graduada em Marketing pelo IPAM. Especializações complementares em Macroeconomia, Coaching, Mindfulness, Leadership e Storytelling.

Docente universitária nas áreas do turismo, marketing e eventos na PBS – Porto Business School e no IPCA – Instituto Público do Cávado e Ave

Consultora na empresa MAC Tourism & Marketing.

Diretora e professora do Curso Profissional de Turismo na EPROMAT.

Foi sócia e consultora especialista da EPT-Tourism Engineering nas áreas de planeamento de turismo, público e privado, animação, investimento, comunicação e marketing. Foi Diretora-Geral da Penafiel Activa, EEM.

Formadora certificada.

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