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Elaboração de uma candidatura – considerações gerais e erros a evitar

A formação profissional desenvolve-se essencialmente em duas vertentes: formação financiada e formação não financiada.

Se analisarmos a vertente da formação financiada, verificamos que a obtenção de financiamento está sujeita à apresentação de uma candidatura, habitualmente balizada por critérios de seleção concretos e objetivos, e que permitem ao organismo financiador levar a  acabo uma análise isenta e decidir com clareza e imparcialidade quais as candidaturas que preenchem os critérios e que serão, por isso, objeto de financiamento.

Por outro lado, as diretrizes publicadas pelos organismos financiadores, constituem um importante instrumento para a elaboração da candidatura por parte das entidades que se candidatam, ao determinar quais os parâmetros que serão analisados, permitindo assim direcionar o conteúdo da candidatura de forma mais eficaz, aumentando a probabilidade do seu deferimento.

Em traços gerais, existem alguns aspetos que devem ser analisados numa primeira fase do processo de elaboração de candidatura:

  • A medida, tipologia ou apoio ao qual a entidade se candidata (através da análise do Aviso de Abertura de Candidatura publicado pelo organismo financiador);
  • As necessidades e expectativas da entidade que formaliza a candidatura;
  • A data limite, documentos necessários e forma de submissão.

Após a definição destes aspetos, importa avançar para a fase de diagnóstico. O diagnóstico poderá ser construído com recurso a instrumentos próprios, estudos e publicações oficiais, bases de dados, entre outros.

Passando à fase de elaboração da candidatura propriamente dita, importa analisar cuidadosamente todos os critérios de seleção a que a candidatura estará sujeita, de forma a garantir o cumprimento integral dos mesmos, obtendo assim a pontuação necessária para a aprovação.

O processo de elaboração de uma candidatura é um processo moroso, que implica estudo e análise de diversos documentos e enquadramento e sistematização de conteúdos. Decorrente deste processo podem ocorrer erros no momento da elaboração da candidatura em termos de conteúdo, que devemos evitar, como por exemplo:

  • Ausência de diagnóstico apropriado para sustentar e justificar o desenvolvimento da candidatura ou existência de dados insuficientes para sustentar a candidatura;
  • Incoerência entre as necessidades diagnosticadas e definidas a nível nacional (SANQ, IEFP…) e as ações a desenvolver;
  • Ausência de parcerias/protocolos com redes de apoio ao desenvolvimento da candidatura (instituições, escolas, parceiros, Centros Qualifica, entre ouros);
  • Capacidade administrativo-financeira da entidade desajustada ou insuficiente para o projeto que pretende desenvolver;
  • Inexistência de mecanismos de acompanhamento e monitorização ao longo do desenvolvimento do projeto;
  • Resultados contratualizados assumidos irrealistas ou desproporcionais face à capacidade demonstrada pela entidade.

Importa ainda mencionar alguns aspetos que, não estando diretamente relacionados com a estrutura da candidatura e com os diferentes pontos da grelha de seleção, poderão constituir um entrave à sua aprovação:

  • Texto excessivamente teóricos, pouco estruturados e que se desviam do ponto em análise, criando maior dificuldade na análise objetiva dos pontos em avaliação;
  • Textos excessivamente resumidos, onde se perde a contextualização e a integração do critério em análise na candidatura como um todo;
  • Ausência de sustentação teórica/científica, nas afirmações produzidas.

Por fim, existem ainda outros pontos a considerar, de cariz mais prático e que se prendem com:

  • Documentos a anexar (é importante analisar o Aviso de Abertura de Candidatura para perceber se há necessidade de anexar documentos, como protocolos, relatórios, contratos, verificando o seu tamanho e a viabilidade de o submeter no Balcão 2020).
  • Prazo para submissão: assume-se como uma boa prática não submeter a candidatura muito próximo da data limite para que possamos evitar eventuais constrangimentos informáticos, rever todos os separadores e confirmar se todas as informações foram submetidas e assim garantir uma submissão atempada.

O processo de elaboração de uma candidatura implica a conjugação de esforços de uma equipa multidisciplinar, com vista à submissão e aprovação da candidatura apresentada. É importante analisar cuidadosamente todos os documentos que compõem o aviso de abertura e possuir uma visão global do estado da formação profissional a nível nacional, para que a candidatura apesentada constitua uma efetiva mais-valia para o desenvolvimento do plano educativo português.

AUTOR(A)

Núria Rodrigues

Licenciada em Psicologia pela Universidade Fernando Pessoa, assume funções enquanto coordenadora pedagógica de projetos de formação.

Projeto de Formação-Ação (Aviso n.º 08-SI-2019)

A IEBA em parceria com a AEDL encontra-se a desenvolver um projeto conjunto de formação-ação (AVISO n.º 08-SI-2019)

OBJETIVOS

Aumento da qualificação específica dos trabalhadores em domínios relevantes para a estratégia de inovação, internacionalização e modernização das empresas;

Aumento das capacidades de gestão das empresas para encetar processos de mudança e inovação;

Promoção de ações de dinamização e sensibilização para a mudança e intercâmbio de boas práticas.

MODELO DE INTERVENÇÃO

DIAGNÓSTICO E DEFINIÇÃO DO PLANO DE AÇÃO

Onde são identificadas as necessidades da empresa e é elaborado o plano de ação com os objetivos a alcançar e as medidas de formação e de consultoria a implementar.

IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO

Desenvolvida formação à medida na própria empresa, assim como consultoria, exercida em ambiente intraempresa onde o consultor formador deve responder às necessidades da PME

ACOMPANHAMENTO DO PLANO DE AÇÃO

Executada a avaliação intercalar de resultados, para acompanhar e controlar o grau de implementação do plano de ação.

AVALIAÇÃO DE RESULTADOS / MELHORIAS IMPLEMENTADAS

Relatório final com a avaliação dos resultados alcançados.

VANTAGENS

Acesso a um conjunto de formações e consultoria onde podem ser desenvolvidas vertentes como:

  • Introdução de novos métodos ou novas filosofias de organização do trabalho;
  • Atividades de design thinking;
  • Construção de planos de inovação;
  • Projetos de desenvolvimento de novos produtos/serviços/projetos empresariais;
  • Fomento do intraempreendedorismo;
  • Estímulo à cooperação interempresarial;
  • Redesenho e melhorias de layout;
  • Ações de benchmarking;
  • Entre outros.

DURAÇÃO DA INTERVENÇÃO E FORMANDOS

Dimensão da Empresa

Microempresas (até 5 trabalhadores)

Microempresas (5-9 trabalhadores)

Pequenas empresas (10-49 trabalhadores)

Médias empresas (50-249 trabalhadores)

Horas de Formação

75H

75H

80H

100H

Horas de Consultoria

100H

100H

120H

150H

CONTACTE-NOS PARA MAIS INFORMAÇÕES!

e-mail: carla.sousa@aedl.pt

tlm.: +351 916 209 594

Projeto de Formação-Ação (Aviso n.º 12-SI-2019)

A BE YOU em parceria com a AEDL encontra-se a desenvolver um projeto conjunto de formação-ação (AVISO n.º 12-SI-2019)

OBJETIVOS

Aumento da qualificação específica dos trabalhadores em domínios relevantes para a estratégia de inovação, internacionalização e modernização das empresas;

Aumento das capacidades de gestão das empresas para encetar processos de mudança e inovação;

Promoção de ações de dinamização e sensibilização para a mudança e intercâmbio de boas práticas.

MODELO DE INTERVENÇÃO

DIAGNÓSTICO

Situa os problemas que se colocam à estratégia de desenvolvimento da PME consoante os seus objetivos estratégicos, fazendo um levantamento das suas necessidades.

PLANEAMENTO

É elaborado um plano de ação que explicite objetivos claros do ponto de vista da intervenção a prosseguir e as competências a desenvolver para a realização de cada um desses objetivos.

IMPLEMENTAÇÃO

Desenvolvimento de formação e consultoria na própria empresa.

AVALIAÇÃO

Verificação do grau de cumprimento do plano de ação.

VANTAGENS

Acesso a um conjunto de formações e consultoria onde podem ser desenvolvidas vertentes como:

  • Aplicação do conceito valor-cliente ao seu negócio;
  • Marketing e gestão da qualidade: na orientação para o cliente/turista;
  • Fidelização, criação e gestão de clube de clientes;
  • Gestão das marcas e do posicionamento de mercado;
  • Evolução do marketing eletrónico e dos desafios futuros;
  • Negócio eletrónico e dos seus modelos;
  • Adaptação ao novo contexto empresarial;
  • Entre outros.

DURAÇÃO DA INTERVENÇÃO E FORMANDOS

Dimensão da Empresa

Microempresas (até 5 trabalhadores)

Pequenas empresas (>= 10 trabalhadores)

Horas de Formação

24H

75H

Horas de Consultoria

36H

50H

CONTACTE-NOS PARA MAIS INFORMAÇÕES!

e-mail: carla.sousa@aedl.pt

tlm.: +351 916 209 594

Questões da Comunicação e das Relações Interpessoais

No mundo contemporâneo, as questões da comunicação e das relações interpessoais são da maior importância. Em média, o ser humano passa ¾ do seu tempo a comunicar com outras pessoas, podendo afirmar-se que a comunicação humana é uma vertente fundamental no processo das relações interpessoais. 

Ao adquirir as regras e normas que regem uma determinada sociedade, o ser humano vai desenvolvendo as suas capacidades de comunicação. Enquanto ser cultural, cada indivíduo apreende da sociedade valores que se transmitem de geração em geração, para melhor se relacionar com os outros. 

A palavra “comunicar” provém do latim Comunicare e significa “pôr em comum”. Significa, assim, transmitir uma mensagem entre pessoas que conhecem o significado daquilo que se diz e faz. Significa trocar e partilhar ideias, sentimentos, hábitos, experiências e valores através de sinais verbais, sinais escritos e sinais não verbais.

Por outro lado, a comunicação é o mecanismo através do qual as relações humanas existem e se desenvolvem. A comunicação surgiu como uma necessidade social e, simultaneamente, como uma exigência pessoal para estabelecer a relação com os outros.  Comunicar com o outro implica a tomada em conta da sua identidade na interação e as suas reações à alteridade. Os códigos culturais e linguísticos, assim como os rituais de interação, diferem segundo as culturas e sub culturas e, deste modo, o desconhecimento ou não respeito por estas diferenças nos diversos contextos gera problemas comunicacionais e pode reforçar os estereótipos e os preconceitos. 

Numa relação comunicativa não se produzem nem se interpretam sinais isoladamente, mas sim conjuntos de sinais que se integram num contexto. Quantas vezes nos queixamos de que entendemos o contrário daquilo que alguém nos pretendia comunicar ou que as palavras que alguém utilizou estavam fora do contexto? A significação é, pois, um problema central da comunicação, na medida em que condiciona a sua eficácia: por um lado, porque a comunicação só será eficaz se a mensagem que o emissor tinha intenção de transmitir for interpretada da mesma forma pelo recetor; e, por outro, porque o significado que é atribuído à mensagem tem expressão na forma como as pessoas reagem à mensagem que é emitida. É fundamental que, no processo de comunicação, tenhamos presente as possíveis significações que os outros possam atribuir ao nosso comportamento. Ter consciência deste fenómeno permite uma maior abertura e disponibilidade para compreender as ideias e pontos de vista dos outros e, ao mesmo tempo, para reformularmos as nossas ideias e representações.

Cada pessoa, que passamos a considerar interlocutor, troca informações baseadas no seu repertório cultural, na sua formação educacional, vivências, emoções, toda a “bagagem” que traz consigo. Cada qual tem o seu repertório cultural exclusivo e, portanto, transmitirá a informação segundo o seu conjunto de particularidades e o recetor agirá da mesma maneira, segundo o seu próprio filtro cultural.

A fim de minimizar estes choques culturais, convencionaram-se ferramentas e meios que passam a ser usados pelas pessoas na comunicação interpessoal (por exemplo a fala, a mímica, os computadores, a escrita, a língua, os telefones e a rádio). A escolha dos meios de comunicação e a utilização das ferramentas disponíveis deve ser observada de modo a facilitar todo o processo com o menor índice de ruídos possível.

Por outro lado, existem atitudes que poderão ser facilitadoras da comunicação, nomeadamente:

a) Autoconhecimento – A imagem que construímos de nós próprios determina, em grande medida, a forma como comunicamos: a iniciativa para comunicar, a clareza na expressão, o risco de abandonar determinadas questões, a compreensão de outros pontos de vista, a crítica e a aceitação da crítica, a discordância com os grupos, a apresentação de dúvidas e a criatividade. Esta imagem que formamos de nós próprios é constantemente criada pelo feedback que nos chega a partir das reações dos outros e do meio aos nossos comportamentos comunicacionais, contribuindo para o esclarecimento, melhoria e crescimento contínuos.

 

b) Autoestima – Para termos credibilidade diante de um interlocutor, é indispensável termos credibilidade perante nós próprios. Só há troca (e comunicação é troca) se admitimos que podemos contribuir com alguma coisa. Podemos afirmar, pois, que há uma correlação elevada entre estima por si próprio (o grau em que gostamos de nós mesmos) e o estilo de comunicação. As pessoas que possuem um bom nível de autoestima dão normalmente provas de um à-vontade maior nas relações, sabendo ter iniciativa, ser criativas, exprimir com clareza as suas críticas fundamentadas e procurar relações produtivas para todos os intervenientes, não se sentindo postas em causa cada vez que se discorde delas, ou que um seu ponto de vista não suscite a ausência do grupo. 

 

c) Heteroconhecimento – A eficácia do discurso exige o conhecimento do “outro”, o nosso companheiro de interação. Mas o “outro” revela-se apenas se nos envolvermos e escutarmos ativamente. Se assim for, receberemos feedback construtivo do “outro” e fomentaremos a aproximação de quadros de referência e criação e ampliação de um “repertório” comum.

 

d) Contexto – É pela abordagem do contexto particular – e não a utilização de “Receitas” aplicáveis a todas as circunstâncias – que é possível conseguir resultados satisfatórios para todos, uma vez que essas informações integradas permitem um constante reajustamento da comunicação para que produza os efeitos desejados. 

 

e) Empatia – Por vezes, no nosso dia-a-dia, utilizamos a palavra empatia como um sinónimo de simpatia (ex: “Eu empatizei logo com ele”, isto é, “Eu simpatizei logo com ele”). No entanto, a empatia não se relaciona com a simpatia; podemos empatizar com alguém com quem não simpatizamos. Aliás, este é um dos motivos pelos quais a empatia é tão importante nas relações interpessoais. A empatia é a capacidade para se colocar na “pele” da outra pessoa e identificar e compreender os seus sentimentos. A perspetiva da empatia deriva de um princípio fundamental nas relações interpessoais: “Todas as pessoas têm motivos para agir”. Se reconhecemos sempre motivos para nós termos agido de uma dada forma, os outros também devem beneficiar da mesma premissa, por muito que o seu comportamento nos pareça criticável ou sem sentido. Neste sentido, a empatia é o oposto do juízo de valor: em vez de se julgar o comportamento de alguém com base num traço negativo de personalidade, procura-se compreender o comportamento da pessoa. A empatia é um “ingrediente” fundamental para estabelecermos relações de proximidade e intimidade com alguém, apresentando como principal vantagem o facto de a comunicação se tornar mais clara, pois diminuem as interpretações incorretas dos comportamentos e os conflitos são menos frequentes e melhor resolvidos. A comunicação deverá ser empática, pois só desta forma se criam e expandem “territórios de comunicação” comuns. Não obstante, a atitude empática não significa a perda do espírito crítico, nem implica que se tenha que pensar, sentir ou agir como o outro. 

 

Como nota final relembrar que no ato de comunicar com os outros devemos sempre recordar que 

Não há absolutização da ignorância, nem absolutização do saber. Ninguém sabe tudo, assim como ninguém ignora tudo. O saber começa com a consciência do saber pouco. É sabendo que sabe pouco que uma pessoa se prepara para saber mais. O homem, como um ser histórico, inserido num permanente movimento de procura, faz e refaz constantemente o seu saber.”

 (Freire, 1975).

AUTOR(A)

Patrícia Ribeiro é licenciada em Psicologia, com Mestrado em Educação e Formação de Adultos e  Doutoramento em Ciências da Educação pela Universidade do Porto. É, também, pós-graduada em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar pela Universidade Lusófona do Porto, na qual é colaboradora do Instituto de Mediação. Psicóloga Escolar, Mediadora Escolar e Formadora em diversas áreas.

Primeiros Socorros e Cidadania

Primeiros socorros – Auxílio imediato, prestado em caso de emergência a pessoas feridas, antes de atendimento hospitalar.¹

A Wikipédia publica que, de acordo com a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, define-se os primeiros socorros como a prestação e assistência médica imediata a uma pessoa ou uma ferida até à chegada de ajuda profissional. (…) Diversas situações podem precisar de primeiros socorros. As situações mais comuns são atendimento de vítimas de acidentes automobilísticos, atropelamentos, incêndios, tumultos, afogamentos, catástrofes naturais, acidentes industriais, tiroteios ou atendimento de pessoas que passem mal: apoplexia (ataque cardíaco), ataques epilépticos, convulsões, etc.

Os governos devem ter uma abordagem mais dinâmica, promovendo a educação obrigatória em primeiros socorros, por exemplo, nas escolas ou ao solicitar a carta de condução. Uma abordagem semelhante deve ser adotada no local de trabalho.

Tendo aprendido primeiros socorros, a certificação deve ter um prazo de validade, terminado este as pessoas devem participar de cursos de atualização.

No entanto, uma pesquisa da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho revela que o medo da responsabilidade é uma das principais barreiras que impedem as pessoas de prestar primeiros socorros. O treino também deve preparar as pessoas que já sabem primeiros socorros a saber como lidar com os efeitos traumatizantes decorrentes de um acidente que pode impedi-los de adotar a ação correta.

Investir em formação e educação em primeiros socorros não apenas salva vidas, mas também é rentável. Os primeiros socorros reduzem a gravidade das lesões e, ao mesmo tempo, o alto custo do tratamento médico e as consequências a longo prazo para as pessoas gravemente feridas. Os primeiros socorros também são uma importante ferramenta de prevenção, pois aumentam a consciencialização dos perigos que causam acidentes em casa, no local de trabalho e nas ruas. Torna as comunidades mais conscientes dos perigos que enfrentam, especialmente em áreas propensas a desastres.

A assistência prestada durante os primeiros minutos de um acidente é essencial para os feridos, principalmente para sua futura saúde e qualidade de vida. Uma quantidade considerável de tempo pode passar antes que os técnicos de socorro cheguem, mas ainda pode ser fornecida ajuda. Por exemplo, após um grave acidente de viação, se ninguém aplicar pressão ao ferimento de uma pessoa com sangramento grave para detê-lo, mesmo o serviço de emergência mais rápido e sofisticado do mundo chegará ao local apenas para certificar a morte. Na União Europeia, milhares de vidas podem ser salvas graças a uma intervenção ou diagnósticos mais rápidos. Por outro lado, cuidados insuficientes pós-acidente podem induzir, mesmo onde as vítimas sobrevivem ao acidente, incapacidade e lesões que poderiam ter sido evitadas.

Por que conhecer os primeiros socorros é tão importante?

Um coração humano para de bater dentro de quatro minutos após a respiração parar, a lesão cerebral permanente pode ocorrer dentro de quatro a seis minutos após a respiração parar.

Uma situação de engasgamento pode, rapidamente, evoluir para uma paragem respiratória.
Uma hemorragia arterial ou venosa significativa, se nada for feito, vai evoluir para choque e paragem cardíaca.

Mais de 50% das mortes por acidentes de trânsito ocorrem nos primeiros minutos do acidente.

A identificação de um A.V.C. ou de um enfarte cardíaco é importantíssima, pois o recurso aos serviços especializados previne e diminui incapacidade posterior.

Essas estatísticas deixam claro que ter alguém treinado em primeiros socorros em cena faz uma diferença real e salva vidas.

Quem são os prestadores de primeiros socorros de hoje?

Alguns são membros de organizações de emergência, no entanto, a maioria deles são apenas indivíduos comuns. O primeiro socorrista geralmente é um vizinho, um amigo, um membro da família ou apenas um espectador ou um membro da comunidade. Seu papel é fundamental para dar às vítimas melhores hipóteses de sobrevivência. Em menos de cinco minutos, os voluntários de primeiros socorros podem tomar medidas muito decisivas.

A cadeia de sobrevivência – conforme definida pela Organização Mundial da Saúde – começa por identificar precocemente a situação, alertar os serviços de emergência e agir adequadamente à situação até à chegada dos técnicos de emergência.

Quero terminar com uma certeza, durante um evento traumático com risco de vida associado, se ninguém agir… o desfecho geralmente é um: a morte da vítima. A agir aumentamos as hipóteses de sobrevivência.


¹ “Primeiros socorros”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/primeiros%20socorros [consultado em 08-01-2020].

AUTOR(A)

Fernando Monteirinho

Vendas: A Gestão das Emoções e dos Sentidos

Assento as técnicas de venda, na gestão das emoções. Hoje, compra-se e vende-se por emoção. Fazem-se apelos aos cinco sentidos para que o potencial cliente compre. 

Os nossos olhos fixam-se nesta ou naquela montra, nesta ou naquela cor. Acha que é por acaso? Não. A arte do “visual merchandising” leva-nos a olhar e a entrar. Porque vamos num centro comercial ou numa rua e entramos numa loja e não noutra? Porque somos precisamente, levados pela atractividade da montra, pelo cheiro que vem lá de dentro, pela música que ouvimos. 

Já reparou no tamanho das portas das perfumarias? Geralmente, bem largas, para que os odores e aromas se espalhem? Quando forem a um centro comercial, reparem que, a longos metros, já nos cheira bem. Já entrou numa perfumaria e nem pensava em comprar nada? Pois… 

A música, dentro das lojas, não só atrai, porque cria dinâmica, como também faz com que se perca a noção do tempo. Já repararam que, quando ouvimos música, deixamo-nos levar, sem tempo, e ficamos mais disponíveis e receptivos a tudo? A música gera boa disposição. E o cliente tem de estar bem disposto para comprar. Também raramente vê relógios nas lojas, certo? Certo. O cliente tem de ter tempo e não se quer que esteja condicionado. Quanto mais tempo passar na loja, maior a probabilidade de comprar e de comprar mais.

Visão, audição e olfacto do cliente a aumentarem as vendas do comerciante.

Junte-lhe aquele irresistível bocadinho de queijo ou enchidos que lhe fazem num hipermercado, por volta da hora de almoço, oferecidos num local estratégico. Ou o toque na roupa, ao comprar. Podemos não perceber nada nem conhecer o material de que é feita aquela camisola, mas vamos lá tocar e pensamos “isto é bom”, mesmo sem saber do que falamos. Dizemos, porque foi agradável ao toque, naquela camisola, que estava ali…  à mão…a pedir para ser tocada. 

E eis o paladar e o tacto a completarem  o lote de apelos ao consumo.

Reparou nos pormenores da montra, da porta larga, da música, do local estratégico da oferta de comida ou da roupa disponível para ser tocada? Nada acontece, por  acaso, em vendas.

Olhemos para trás e pensemos no número de vezes que já compramos por impulso, pelo apelo imediato dos sentidos. Somos humanos, funcionamos por emoções que nem sempre conseguimos dominar ou controlar. Não fomos treinados para controlar os nossos impulsos e há profissionais de marketing, vendas e visual merchandising que o foram para o fazer. Para manipular os nossos sentidos. A tudo isto, juntem-se diversas técnicas de venda, a arte da comunicação e o talento de quem vende.

Longe vão os tempos da compra agressiva, em que o foco era a venda imediata, sem mais. Hoje, com a concorrência desenfreada, apelos de todo o lado e menos dinheiro, 90% do processo de venda é chamamento, atracção e cativação. Os outros 10%, no final, devem fluir, transformando-se numa venda fácil em que o cliente tenha tido gosto em comprar.

A venda é uma estratégia global de marketing, formação, planeamento e, sobretudo, inteligência emocional.

AUTOR(A)

Rui Santos

  • Formador Certificado
  • Consultor de Empresas
  • Especialista em Análise Comportamental
  • Especialista em Análise de Perfis
  • Criador do projecto “RH + Emprego”
Luto: Primeiro Contacto com as Famílias

“A felicidade é benéfica para o corpo, mas o sofrimento desenvolve os poderes da mente.”

-Marcel Proust-

 

Todos nós gostaríamos que as pessoas que amamos nunca nos deixassem, mas sabemos que isso não é possível, ninguém está imune à perda, o luto é algo que todos nós vamos sofrer e quem já perdeu alguém, sabe que a dor é incomensurável.

Perder alguém que estimamos causa uma dor que nunca se cura, apenas nos acostumamos com a falta e cada pessoa terá que encontrar o seu próprio caminho para enfrentar o luto, perceber onde encontrar alívio, integridade e capacidade de se levantar novamente.

Reorganizar os pensamentos e aliviar a dor é uma tarefa que exige tempo, pois ninguém ensina o outro sobre as leis do sofrimento e de como enfrentar o luto.

Normalmente, a dor da perda chega de repente para nos desestabilizar e é preciso arte para saber dizer adeus, para que pouco a pouco, se consiga juntar cada peça numa reconstrução da pessoa em luto, que sem saber, está num processo que é uma das maiores aprendizagens que fazemos.

A possibilidade de fazer uma Cerimónia de Homenagem no momento mais delicado de todos, o primeiro momento, o início das cerimónias fúnebres pode ser uma ajuda no processo de superação e no amenizar a dor da saudade por quem já se foi…  

A cerimónia de homenagem pressupõe a realização de um texto por parte de um psicólogo ou terapeuta habilitado para esse serviço, normalmente em 24 horas e que deve contemplar 4 passos:

  • 1º Passo:  Proceder à recolha de informação junto da família da pessoa falecida, por vezes amigos,  de forma presencial, que é a mais comum, mas também com possibilidade de ser uma recolha via telefone ou  video-chamada, assim como juntar trechos ou textos da família, de um só familiar ou de um amigo;
  • 2º Passo: Elaboração do texto de homenagem ou aperfeiçoamento do texto recolhido junto da família e/ ou amigos, como nos exemplos:

«Jamais poderemos esquecer a tua lucidez, e a tirada oportuna, tantas vezes mordaz, que nos fazia escangalhar a rir» trecho de um texto composto em conjunto com a psicóloga;  

«Claro…com o teu feitio… e se eram bravas as tuas rabuges” – recolha presencial 

«A ti meu querido chefinho, conheci-te com apenas 16 aninhos» – envio de texto para anexar

  • 3º Passo:  Apresentar o texto de homenagem aos familiares/ amigos para eventuais correções e validação, porque nunca é tomado em definitivo sem a família ou amigos considerarem válido.
  • 4º Passo:  Leitura do texto de homenagem que pode ser feita na Igreja, após ou durante a cerimónia religiosa; também na Igreja mas em substituição da cerimónia religiosa; ou no Crematório.

E esta descrição sucinta demonstra um trabalho importante que se pode realizar num primeiro momento e contacto com a família de quem partiu. 

Apesar de se viver com a morte todos os dias, não se pode perder a sensibilidade de saber que se está a fazer é sobre um pai, uma mãe, um filho, uma tia, um marido… e como tal, deve ser tratado com todo o respeito e dignidade, com a premissa de que até os mortos merecem ser bem tratados.

AUTOR(A)

Filipa Nobre, Psicóloga (CP nº 12090)

Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde
Especialista em Psicologia da Educação
Especialidade Avançada em Psicologia da Justiça
Especialidade Avançada em Psicologia Comunitária 

Novo Blogue

Este ano a AEDL decidiu criar um blogue onde vamos publicar textos sobre diversos temas. Os textos vão ser escritos por colaboradores, formadores e empresários que trabalham connosco.